Entenda o que é a Reforma Tributária, quando ela entra em vigor, quais são as principais mudanças para empresas e por que 2025 é o ano de planejamento para garantir eficiência e segurança no novo sistema.
O que é a Reforma Tributária
A Reforma Tributária é a maior mudança no sistema de tributos brasileiros dos últimos 60 anos.
Aprovada pelo Congresso Nacional, a reforma começará a ser implantada em 2026, com um período de transição até 2033. Ela muda completamente a forma como os tributos são apurados, creditados e pagos, impactando diretamente a formação de preços, margens de lucro e fluxo de caixa das empresas.
Por que a reforma foi proposta pelo governo
O sistema tributário brasileiro é conhecido pela sua complexidade.
Hoje, as empresas precisam lidar com cinco tributos sobre o consumo (ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI), cada um com regras e alíquotas próprias.
Segundo a Thomson Reuters, o Brasil tem um dos maiores custos administrativos do mundo com obrigações fiscais, o que reduz competitividade e afeta principalmente pequenas e médias empresas.
A nova Reforma propõe unificar e padronizar esse sistema, criando um ambiente mais previsível e produtivo para o setor privado.
O que muda com a Reforma Tributária
O ponto central da reforma é a substituição de cinco tributos por dois impostos principais, ambos baseados no modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), já utilizado em mais de 170 países.
| Antes da Reforma | Depois da Reforma |
| PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS | CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) + IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) |
| Regras Estaduais e municipais diferentes | Regras unificadas nacionalmente |
| Cálculo cumulativo (tributo sobre tributo) | Cálculo não cumulativo (créditos e débitos) |
| Cobrança no faturamento | Cobrança no consumo final |
Além disso, será criado o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos específicos, como cigarros, bebidas alcoólicas e bens com impacto ambiental negativo, substituindo o atual IPI.
Os seis pilares que o empresário precisa compreender
Há seis pilares fundamentais que toda empresa precisa dominar para enfrentar a Reforma Tributária com segurança:
- Nova formação de preços: cada empresa precisará revisar suas margens e custos, já que a carga tributária será redistribuída.
- Geração de créditos e débitos: o novo modelo de não cumulatividade exigirá controle rigoroso dos créditos de impostos pagos em cada etapa.
- Formato de apuração: será mais técnico e exigirá integração contábil e tecnológica.
- Alíquotas: a carga total estimada gira em torno de 25%, somando CBS e IBS, com variação por setor.
- Combate à sonegação: a digitalização e o modelo de split payment (pagamento dividido entre fornecedor e governo) reduzirão fraudes.
- Planejamento e capital de giro: as mudanças afetam diretamente o fluxo financeiro das empresas e exigem revisão de caixa, margens e precificação.
Como será a transição (2025–2033)
A implementação ocorrerá de forma gradual:
- 2025: início da adaptação e regulamentações complementares;
- 2026: entrada em vigor do CBS, substituindo PIS e COFINS;
- 2027–2028: início do Imposto Seletivo, substituindo o IPI;
- 2029–2032: redução progressiva do ICMS e ISS, conforme o IBS passa a vigorar;
- 2033: fim do sistema atual e consolidação total do novo modelo.
Durante esse período, haverá dupla tributação transitória, e as empresas precisarão reprecificar seus produtos e serviços em até sete janelas de tempo distintas.
Impactos práticos para as empresas
A reforma não se resume a pagar menos ou mais tributo, ela muda a lógica da gestão financeira. De acordo com Ivan Rocha, sócio da Dacto Contabilidade Consultiva,
“a Reforma Tributária não é sobre pagamento de tributos, mas sobre margem e caixa”.
Entre os principais impactos estão:
- Necessidade de revisar preços de compra e venda;
- Planejar capital de giro, já que o crédito tributário será recuperado em outro momento;
- Implantar sistemas de gestão e ERP integrados para acompanhar as mudanças;
- Reestruturar o planejamento tributário e financeiro;
- Treinar equipes e parceiros para o novo modelo.
O maior risco da Reforma Tributária é a perda de lucratividade.
Empresas que não revisarem suas margens e precificações podem sofrer queda de rentabilidade já em 2026.
O papel da contabilidade consultiva na transição
A nova estrutura tributária exigirá das empresas um acompanhamento contábil estratégico e constante. Não bastará cumprir obrigações fiscais: será preciso analisar impactos, simular cenários e ajustar decisões com base em dados reais.
Aqui na Dacto, o foco tem sido justamente esse: ajudar empresas a compreender o impacto da Reforma Tributária, ajustar sua precificação e margem de lucro e se preparar antes da virada de 2026, com planejamento e clareza nos números.
Conclusão
A Reforma Tributária representa uma mudança profunda na forma como empresas brasileiras calculam, recolhem e controlam tributos. Mais do que uma atualização legal, ela inaugura uma nova lógica de gestão financeira e contábil, baseada em dados, eficiência e integração.